E foi então que o homem percebeu que em sua vida ele tinha duas sombras, a silhueta de seu corpo na luz e uma outra, impertinente e por muitos desejada, que contorce o caminho por onde passa e não mantém respeito à ordem natural das coisas, perseguida pelos escritores e odiada pelos rotineiros, chamada Ironia.
Trecho muito pequeno para um Devaneio, também muito pequeno para um Conto, mas mereceu ser postado. Pensei em vendá-lo entre aspas, mas não era necessário.
Vamos ao que interessa: Individualismo e os EUA.
Para quem não "está ligado" às eleições dos Estados Unidos, no lado democrático existem dois possíveis candidatos, de forma curta e grossa: Um negro e uma mulher. Pasmem! Já é notícia em todos os grandes jornais do mundo há algum tempo, pela primeira vez, o país símbolo da Democracia (com certa ironia, retomarei o assunto mais pra frente) terá - tomara - alguém que não é um homem branco de meia idade com idéias conservadoras, e sim um "membro de uma classe menos favorecida!" E vem aquela pergunta que todos devem se perguntar, "Os EUA estão prontos para um presidente negro/do sexo feminino?"
Não é essa a pergunta que nos interessa no momento, o que nos interessa é: "Qual será a diferença?"
É incrível como os americanos moldaram uma sociedade tão individualista nas últimas décadas, por exemplo, ao se perguntarem como está a votação entre Hillary (a mulher) e Obama (o negro) os jornais não dizem algo como "o total está tantos 'porcento' para um e tantos 'porcento' para o outro", não, eles dividem toda a sociedade em blocos, ao máximo que podem dividir, até ter uma noção máxima de como anda o voto (e acabaram, pelo menos nessa última eleição, com muitas estimativas erradas), por exemplo: "As mulheres de idade entre 60 e 80 anos estão votando tanto e tanto" ou "Os homens brancos de idade entre 18 e 25 estão votando tanto e tanto". Não é preciso um doutorado em ciências políticas para se imaginar que a maioria dos negros votará em Obama e a maioria das mulheres em Hillary, mas para que uma rede de comunicações faça uma dissecação das raças, das faixas etárias, do credo, é simplesmente algo estupidamente individualista.
E o pior, eles não se dividem somente entre raças, idades e credo, eles também se dividem entre estados, com campanhas políticas que "gastam todos os esforço$ em um estado tal" ou "procuram manter uma boa campanha no lado leste do país", e os resultados das votações para quem irá representar o partido passa também de estado em estado, fazendo parecer mais um filme de ação da década de 90 do que o exercício da Democracia.
Não somente isso, ao final da decisão de quem irá representar o partido Democrata e o Republicano, a eleição para presidente se divide estritamente entre esses dois partidos, sendo que ambos já tem suas pré-concepções e idéias previamente montadas, por exemplo, um candidato republicano (conservador) perderia o apoio do próprio partido disseminando a legalização do casamento gay, e um candidato democrata perderia também o apoio de seu partido ao falar mal do aborto. Existem também os chamados "candidatos independentes", que recebem uma quantidade nula de votos, e não merecem nem serem mencionados.
Então é basicamente isso, nós temos a sociedade atualmente mais bem projetada em ramos científicos/bélicos bipolarizada. E não paremos por aqui, nos EUA as leis também são aprovadas em um ou outro estado, mantendo legislações diferentes da União, ou seja, uma adolescente que mora em um estado que não permite o aborto cruza a fronteira, realiza o aborto, e volta para casa. Então basicamente o povo americano se divide entre estados legislativos, e se já não foi o suficiente se dividem entre cores, se já não foi suficiente se dividem entre credos, em faixas etárias, em costumes. E é justamente por isso que quando um candidato se apresenta para um cargo de grande poder o povo e a mídia não se pergunta quais são suas idéias, e sim de qual dessas infinitas divisões que ele pertence, e claro, se o país está "preparado" para ele.
Nada mais a declarar.
Se me perguntam quem eu acho que deve ganhar a eleição é o candidato Barack Obama, pois não considero correto mais um mandato do partido republicano ou uma candidata (Hillary) que chora, literalmente, em comícios para ganhar votos, o que já foi comprovado que é eficiente - além de patético.
E ah, sobre a ironia em que os EUA são o símbolo da Democracia, acontece que lá o voto de um cidadão não vale o mesmo de que o de um cidadão de outro estado, sendo que o presidente Jorge W. Bush ganhou a eleição com menos votos que Al Gore.
A enquete "No que você acha que o Divagações deveria focar seus posts?" Terminou com magníficos:
Divagações sérias: 6 votos, 46%.
Divagações descontraídas: 4 votos, 30%.
Divagações sarcásticas: 2 votos, 15%.
Contos: 3 votos, 23%.
E por que "magníficos"? Simples, pois se você somar as porcentagens o resultado é em torno de 115%! Ótima matemática do Blogger!
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quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008
quarta-feira, 26 de dezembro de 2007
O que é o natal brasileiro?
Primeiramente coloco aqui que não, vocês não atrasaram ao post, eu que atrasei no tema. Vamos analisar*, o que é o natal para o Brasil? Vamos ignorar a importância econômica dos trabalhadores mal instruídos que gastam seus 13ºs em presentes para suas famílias impulsionadas pelo "espírito natalino" capitalista. Não! O que deve ser discutido é o que é o natal, e não a consequência dele.
A imagem proporcionada do natal vem de países desenvolvidos, Estados Unidos, pra falar um português claro, com seus filmes do estilo "Meu papai é noel 19". O engraçado é que nos Estados Unidos da fucking América** o natal, veja só, faz sentido. Não só faz sentido por eles terem poder monetário de gastar R$100,00 numa boneca Barbie ou R$200,00 numa pista HotWeels (não, também não vejo sentido nesses preços) e sim por eles estarem no inverno, justificando roupas largas em seus personagens e o ato de se "empanturrar" de comida na data comemorativa, sendo que os mesmos têm de acumular gordura para sobreviver ao inverno, isso tem inclusive origem simbólica, a mesma lógica da comilança do thanksgiving (dia de "ação de graças").
Mas vamos ver por um momento o que é o natal de uma família brasileira. Primeiramente, os mesmos começam uma fase de idolatração a um personagem que tinha lá sua origem num bispo acolhedor de pobres e quem sabe até miraculoso mas que acabou por se tornar um velho gordo que veste vermelho por campanhas do refrigerante americano Coca-Cola que altera sua imagem desde 1931, esquecendo do pseudo-real motivo do natal, o nascimento de Jesus. Logo após idolatrarem tal ídolo moderno começam a pensar em "arranjos de natal", que se resumem em enfeites coloridos para suas janelas e preparações para a festa de natal. Depois de todo o estresse natalino dos arranjos vêm as festas que se resumem a pessoas que geralmente não se dariam bem umas com as outras sendo falsas e fingindo se gostar no que chamam de "magia do natal" - ótima também para vender refrigerantes e outros bens de consumo - e claro, ingerindo alimentos altamente gordurosos no meio do verão, o que terá muito possivelmente consequências ruins. Depois vem o ritual dos presentes, que é a artimanha que faz com que as crianças e adolescentes amem o natal e esperem pelo próximo. Isso tudo, claro, acompanhado do coitado do personagem natalino usando vestes densas no verão.
Bom, se depois dessa visão crua você não veja o natal como a festa ilógica e estressante como eu então talvez não haja mais salvação, você foi envolto pela "magia do natal"(ha ha) ou talvez você não tenha uma mente tão podre e realista como a minha. De qualquer forma, feliz natal meu companheiro leitor.
*Depois de intensa dúvida, minha amiga Ana me deixou claro que "analisar" não se escreve com "z".
**Uma pesquisa divulgou que de cada quatro palavras faladas por um jovem americano uma é fuck ou uma variação de fuck.
© Todos os direitos reservados.
A imagem proporcionada do natal vem de países desenvolvidos, Estados Unidos, pra falar um português claro, com seus filmes do estilo "Meu papai é noel 19". O engraçado é que nos Estados Unidos da fucking América** o natal, veja só, faz sentido. Não só faz sentido por eles terem poder monetário de gastar R$100,00 numa boneca Barbie ou R$200,00 numa pista HotWeels (não, também não vejo sentido nesses preços) e sim por eles estarem no inverno, justificando roupas largas em seus personagens e o ato de se "empanturrar" de comida na data comemorativa, sendo que os mesmos têm de acumular gordura para sobreviver ao inverno, isso tem inclusive origem simbólica, a mesma lógica da comilança do thanksgiving (dia de "ação de graças").
Mas vamos ver por um momento o que é o natal de uma família brasileira. Primeiramente, os mesmos começam uma fase de idolatração a um personagem que tinha lá sua origem num bispo acolhedor de pobres e quem sabe até miraculoso mas que acabou por se tornar um velho gordo que veste vermelho por campanhas do refrigerante americano Coca-Cola que altera sua imagem desde 1931, esquecendo do pseudo-real motivo do natal, o nascimento de Jesus. Logo após idolatrarem tal ídolo moderno começam a pensar em "arranjos de natal", que se resumem em enfeites coloridos para suas janelas e preparações para a festa de natal. Depois de todo o estresse natalino dos arranjos vêm as festas que se resumem a pessoas que geralmente não se dariam bem umas com as outras sendo falsas e fingindo se gostar no que chamam de "magia do natal" - ótima também para vender refrigerantes e outros bens de consumo - e claro, ingerindo alimentos altamente gordurosos no meio do verão, o que terá muito possivelmente consequências ruins. Depois vem o ritual dos presentes, que é a artimanha que faz com que as crianças e adolescentes amem o natal e esperem pelo próximo. Isso tudo, claro, acompanhado do coitado do personagem natalino usando vestes densas no verão.
Bom, se depois dessa visão crua você não veja o natal como a festa ilógica e estressante como eu então talvez não haja mais salvação, você foi envolto pela "magia do natal"(ha ha) ou talvez você não tenha uma mente tão podre e realista como a minha. De qualquer forma, feliz natal meu companheiro leitor.
*Depois de intensa dúvida, minha amiga Ana me deixou claro que "analisar" não se escreve com "z".
**Uma pesquisa divulgou que de cada quatro palavras faladas por um jovem americano uma é fuck ou uma variação de fuck.
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