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terça-feira, 21 de outubro de 2008

Excertos de um avião escuro e uma mente iluminada.

Vivo da mais intensa dor e agonia.
Agonia de quem viu o futuro e anseia pelo passado.

Por que o ar que respiro, mais parece trazer combustível do que vida?
Por que a água que me desce a garganta já não me proporciona prazer algum,
e faz-me máquina?

A inércia em que vivo é a mesma que me enoja.
"Algo para me dar prazer!" Grito inutilmente para mim mesmo.
Grito em pensamento, pois sou covarde de gritar em voz.

Covarde é o que sou.
Mas tal auto-conhecimento traz-me benefícios? Traz-me bravura?
Maldita seja esta obsessão por tentar me entender.
Sinto pena do primeiro humanóide que ao levantar sua lança questionou-se "por que?"

Diagnósticos de mim não trarão-me felicidade. Pelo contrário.
Ainda assim, não consigo evitar de querer descobrir a razão de escrever essas palavras todas.
Basta! Está tarde já.

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segunda-feira, 21 de abril de 2008

Bela flor.


Oh eu!
Por que te aprisionas?
Por que utilizas dessa arma letal contra si, e por que persistes no erro?
Oh, por que, diga-me o porquê, por que és tão obcecado?

De tantas flores que lhes vão às mãos, de tantas
por que se aprisiona àquela flor misteriosa, que quando mais se descobre,
menos é flor,
e mais são espinhos.

Diga-me, de tantas flores, por que escolhes esta?
Diga-me, se sabes de teu erro, por que persistes?
Diga-me, por que gostas de sofrer?

A lógica o contraria, eu.
A verdade o contraria.
Se queres saber, eu, quem o escreve agora também o contraria.

Meu incômodo, eu, é que tu sabes de tudo,
sabes do erro, da falsidade, dos espinhos,
deveras a curiosidade de descobrir a flor por detrás dos espinhos ser tão grande
a te consumir, eu?

Deveras a obsessão negar-lhe a razão?
A razão de que não há flor além dos espinhos que já o feriram e ainda o fazem.
Negar-lhe, eu, que há tantas outras flores,
que merecem seu toque muito mais do que essa que traz em si sua ruína.

De que adiantas, eu,
tantas falas, tanta filosofia,
tanto pensar, pensar sobre pensar,
se acabas por ver a ignorância como uma bênção?

Sabes que se machucas, e que não ganhas nada.
Esconde-se, eu, por trás de lógicas bobas.
Esconde-se, acima de tudo, por trás de ilusões.

Essas ilusões o estão consumindo, eu.
Acorde!
Não há flor por trás desse ser seco e cruel.
Acorde!

Acredito, eu
que não há Dionísio que o levante de suas sombras,
agora,
que se estás cego de obsessão.


Imagem magistral por Guilherme Laso, http://www.flickr.com/photos/guilhermelaso/ .

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