Preciso dizer-te que, desde já, te amo.
Desde já, és parte de mim,
parte de tudo o que fui e que serei.
Preciso dizer-te, que sempre admirei você.
Tenho as melhores idéias de ti,
as maiores ambições.
Preciso, acima de tudo, dizer que te entendo.
Melhor que ninguém,
entenderei porque evitarás diversão por momentos pensativos,
preferirás momentos solenes ouvindo uma música especial a outros quaisquer.
Entenderei sua forma de olhar com análise.
Seu jeito analítico será para mim sua maior proeza e nunca uma falha.
O que você ver do mundo,
será também o que estarei vendo por meus olhos.
Entenderei, acima de tudo,
quando olhares para mim e eu "ler"
"eu não deveria estar aqui".
E também quando sua boca esconder e seus olhos disserem-me
"nada mais posso receber de você".
Entenderei, também, suas noites assombrando-me,
caso nunca vires a tomar o corpo de alguém que poderia ver indiferença,
onde tu verás desespero,
tanto, tanto desespero.
Noites em que você visitar-me-á com ódio,
mas nunca odiarei você, filho, nunca.
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sexta-feira, 22 de maio de 2009
segunda-feira, 11 de maio de 2009
A vida após a morte não utópica completamente utópica.
Estava eu a conversar com uma amiga pela internet discutindo o assunto descontraído normal de qualquer pessoa regular: O fim da vida e a existência humana; quando iniciei a dissertar sobre o que seria o pós-vida ideal, que inicialmente seria algo não utópico, diferente das visões atuais de céu e inferno.
Com tal premissa, a criatividade me levou a projetar o que para mim, é o pós-vida, o modelo de existência ideal:
As "bibliotecas" magistrais de conhecimento são privadas do conhecimento puramente sensorial de organismos de nossa galáxia ou de outras. Portanto, quando espíritos dedicam-se ao ato de conhecer algo em particular, estes têm a oportunidade de invocarem-se em criaturas diversas do universo - iniciando existências viventes - que já viveram ou ainda virão a viver; pois o tempo na existência espiritual não é trabalhado e compreendido como pelos seres humanos, e estes seres então, tomam corpos de variadas criaturas que estão a nascer, amebas, plantas ou animais terrestres, ou criaturas inimagináveis pelo ser humano que habitam o universo; sempre, ao morrer novamente em suas vidas, nutrir o universo com a energia do conhecimento adquirido, porém, não possibilitando tal conhecimento para os outros espíritos, que terão também de encarnar em seres viventes para compreender sensorialmente suas existências.
A força superior, se existir, é a entidade que absorve o conhecimento espiritual obtido em existências viventes pelos finitos espíritos existentes. Não seria algo condicionado a uma só forma de vida ou a um gênero, ou espécie, seria algo abstrato até mesmo para os espíritos, o único verdadeiro mistério para os espíritos imortais.
Tal existência infinita, porém, é condicionada a cada espírito optar por perder o conhecimento universal adquirido ao nascer em um ser vivente, portanto sem memória estes adaptam o infinito à compreensão finita.
O Eterno Aprender seria algo surreal, abstrato demais para ser compreendido por humanos ou pela ciência, tampouco geraria humanos de fardas ganhando dinheiro por citações de livros sobre tal teoria.
Ofereço uma teoria do que seria uma infinidade não tediosa, por assim dizer, e também não ligada à forma humana, que é apenas um dos infinitos seres viventes do universo, e não requer sua pós-vida julgamentos dos espíritos quanto a atitudes quando humano e sujeito à forma humana de pensar e se organizar em sociedades. Os espíritos, nós, teríamos apenas o julgamento próprio quando atingíssemos a verdade plena e o conhecimento absoluto, sendo a ética humana de meros milhares de anos de história apenas uma parte infinitesimal do conhecimento sobre o relacionamento entre espíritos e o que os cerca, nas existências viventes e na existência infinita espiritual.
É basicamente isso. Pretendo voltar a atualizar o Divagações e terminar após meses de intervalo muitos contos inacabados.
© Todos os direitos reservados.
Com tal premissa, a criatividade me levou a projetar o que para mim, é o pós-vida, o modelo de existência ideal:
O Eterno Aprender.
O Eterno Aprender consiste em uma coexistência de eternidade e finitude, materialidade e espiritualismo exacerbado e impossível de se provar através da razão. Minha "proposta" é que ao fim da vida humana se termina um tempo de existência vivente, voltando a uma existência espiritual onde todos os mistérios do universo e de tudo o que se pode e não se pode imaginar, muito além do mero conhecimento humano, é dado para quem quiser estudar, absorver imensurável conhecimento, tendo o espírito o poder de saciar toda a curiosidade humana, sem dependências biológicas e sem interesses humanos de reprodução ou sociabilidade. Uma existência dedicada a absorver em um compartimento superior ao cérebro humano e aos canais de mielina uma quantidade literalmente infinita de conhecimento, sendo tal aquisição o único prazer dos espíritos.As "bibliotecas" magistrais de conhecimento são privadas do conhecimento puramente sensorial de organismos de nossa galáxia ou de outras. Portanto, quando espíritos dedicam-se ao ato de conhecer algo em particular, estes têm a oportunidade de invocarem-se em criaturas diversas do universo - iniciando existências viventes - que já viveram ou ainda virão a viver; pois o tempo na existência espiritual não é trabalhado e compreendido como pelos seres humanos, e estes seres então, tomam corpos de variadas criaturas que estão a nascer, amebas, plantas ou animais terrestres, ou criaturas inimagináveis pelo ser humano que habitam o universo; sempre, ao morrer novamente em suas vidas, nutrir o universo com a energia do conhecimento adquirido, porém, não possibilitando tal conhecimento para os outros espíritos, que terão também de encarnar em seres viventes para compreender sensorialmente suas existências.
A força superior, se existir, é a entidade que absorve o conhecimento espiritual obtido em existências viventes pelos finitos espíritos existentes. Não seria algo condicionado a uma só forma de vida ou a um gênero, ou espécie, seria algo abstrato até mesmo para os espíritos, o único verdadeiro mistério para os espíritos imortais.
Tal existência infinita, porém, é condicionada a cada espírito optar por perder o conhecimento universal adquirido ao nascer em um ser vivente, portanto sem memória estes adaptam o infinito à compreensão finita.
O Eterno Aprender seria algo surreal, abstrato demais para ser compreendido por humanos ou pela ciência, tampouco geraria humanos de fardas ganhando dinheiro por citações de livros sobre tal teoria.
Ofereço uma teoria do que seria uma infinidade não tediosa, por assim dizer, e também não ligada à forma humana, que é apenas um dos infinitos seres viventes do universo, e não requer sua pós-vida julgamentos dos espíritos quanto a atitudes quando humano e sujeito à forma humana de pensar e se organizar em sociedades. Os espíritos, nós, teríamos apenas o julgamento próprio quando atingíssemos a verdade plena e o conhecimento absoluto, sendo a ética humana de meros milhares de anos de história apenas uma parte infinitesimal do conhecimento sobre o relacionamento entre espíritos e o que os cerca, nas existências viventes e na existência infinita espiritual.
É basicamente isso. Pretendo voltar a atualizar o Divagações e terminar após meses de intervalo muitos contos inacabados.
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terça-feira, 4 de novembro de 2008
O despertar de Maurício - Primeira Parte.
O despertar de Maurício - Segunda Parte.
Como todos a sua volta, Maurício era feliz.
Sentia os pães de queijo quentes em sua mão naquela manhã, como sentia todos os dias, e senti-los o dava fome. Com fome Maurício se alimentava, na mesma mesa de sempre, com a mesma companhia de sempre, os mesmos sorrisos, as mesmas conversas. Maurício podia até prever as falas das suas colegas, o que não o impressionava; porém, naquele momento, nosso protagonista se viu fazendo uma pergunta que não lhe era de natural, mas que saiu dele como a mais certa de todas as coisas:
- Por que você está sorrindo?
- O que? - Disse sua colega, mantendo o mesmo sorriso inerte. - Porque sim.
Maurício não atingiu compreensão. Indagava com sinceridade:
- Sério, por que você está sorrindo? Aliás, por que vocês todas estão sorrindo?
Para ele aquelas perguntas significavam uma ofensa, ou mesmo se fossem verdade significariam um grande choque, mas elas mal pareciam ouvir-lhe, mantinham suas expressões débeis de felicidade. Foi quando aconteceu.
Os poucos segundos em que Maurício se deu conta da alegria insana que o rodeava foram o suficiente a desencadear nele uma onda de questionamentos.
Maurício olhou às suas colegas novamente e começou a dissertar:
- Qual é o motivo disso tudo?... Vocês não... Não sentem um vazio, um vazio enorme em toda esta colméia em que vivemos?
Não conseguia segurar seus pensamentos. Olhava à sua volta e o que antes tinha por normal agora era absurdo, de tudo sua mente questionava "como?", "por quê?". Varreu os ínfimos de sua memória e pensou em todas as vidas que tinha notícia, no vazio de tudo, na incerteza e na falsidade. Discursava agora feito um louco para quem estivesse perto, para o horror de suas colegas, mas sem tirar o sorriso demente de suas faces.
Maurício realizava tal revelação que não viu no espelho do refeitório seus olhos queimando em vermelho vivo com aquele novo homem que surgia dentro dele. Tampouco pôde ouvir os automóveis correndo loucamente pela rua transversal à do refeitório. Quando enfim chegaram, porém, ouviu-se um estrondo.
- Maurício das Neves! Maurício das Neves! - Gritava um agente de corpo pesado que entrara correndo pela porta. - Temos provas de que a Infecção o teve como vítima! Por favor, identifique-se!
Mais agentes entravam depressa pela porta, e em todos se via um grande punho demarcado em seus macacões, com os escritos "A Força Estatal". Tais agentes agora seguiam dizendo:
- Para a proteção sua e de seus colegas, identifique-se!
Maurício sentia estar em um pesadelo. Não só a Força o fazia estremecer, como a idéia da Infecção. Mas era algo além. O que descobrira naqueles passados minutos o transformara como nada antes o fez. Chegou a perguntar-se "seria isso a Infecção?", mas não pôde terminar seu raciocínio. Um dos agentes que virava rostos de jovens presentes com sua mão e os mirava, juntamente a mirar uma foto recém-impressa de Maurício, teve a sua atenção desviada por uma jovem, a que havia sido perguntada se era feliz. Ela nada fez além de apontar com braço estendido a Maurício.
- Ele está aqui! Aqui! - Gritou o agente.
Homens de roupas escuras e máscaras de gás, os agentes da Força, correram a Maurício, que viu ser jogado sem hesitação de rosto a uma mesa, abrindo um rombo em sua bochecha esquerda. Via o sangue escorrer por sua face, mas sabia que não importava, estava infectado, estava morto.
O arrastamento até um dos furgões que diziam "A FORÇA ESTATAL" foi deveras rápido, e Maurício viu portas de aço fechar em sua frente. Voltou seu rosto ao chão, com o único pensamento repetido: "eu vou morrer, eu vou morrer". Ao notar que o automóvel não estava se movendo, olhou para frente e viu a cena mais amedrontadora de sua vida: A rua, geralmente calma, estava bloqueada em ambos os sentidos por automóveis incendiados; e os agentes Força, que Maurício podia observar através da grade de contenção do veículo, estavam paralisados, mas discutiam:
- Devemos tentar?
- O automóvel pode resistir... E você sabe que o espécime não deve ser capturado.
- É arriscado.
- Eu sei... Mas é necessário.
Maurício não sabia o que pensar. "Tentar o que? Passar pelos automóveis incendiados? Era suicídio! Espécime? Do que estavam falando?"
Sentia taquicardia no peito. Sentia ânsia. Sentia raiva, pressa, medo. Quis fechar os olhos e esperar aquele pesadelo horripilante acabar. Foi quando ouviu o ronco do motor e sentiu o movimento do furgão.
"Loucos!" - Pensou. Mas nada disse, não houve tempo nem voz. Ao chocar o veículo aos carros incendiados o impulso foi tamanho que Maurício voou de encontro à tela de proteção do furgão da Força. Desmaiado, não pôde ver os homens de rostos sérios, de uma seriedade nunca antes presenciada, arrombarem o veículo para seu resgate. Tampouco pôde ver seu transporte para longe de sua cidade - ou colméia, como este a descreveu mais cedo no mesmo dia - por gente nobre que beijava seu rosto, gente que deixava cair água dos olhos e que visava serenidade.
- Mais um salvo, Marcelo. Mais um salvo. - Falou do carro o homem de olhos vermelho-fogo.
Continua.
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Como todos a sua volta, Maurício era feliz.
Sentia os pães de queijo quentes em sua mão naquela manhã, como sentia todos os dias, e senti-los o dava fome. Com fome Maurício se alimentava, na mesma mesa de sempre, com a mesma companhia de sempre, os mesmos sorrisos, as mesmas conversas. Maurício podia até prever as falas das suas colegas, o que não o impressionava; porém, naquele momento, nosso protagonista se viu fazendo uma pergunta que não lhe era de natural, mas que saiu dele como a mais certa de todas as coisas:
- Por que você está sorrindo?
- O que? - Disse sua colega, mantendo o mesmo sorriso inerte. - Porque sim.
Maurício não atingiu compreensão. Indagava com sinceridade:
- Sério, por que você está sorrindo? Aliás, por que vocês todas estão sorrindo?
Para ele aquelas perguntas significavam uma ofensa, ou mesmo se fossem verdade significariam um grande choque, mas elas mal pareciam ouvir-lhe, mantinham suas expressões débeis de felicidade. Foi quando aconteceu.
Os poucos segundos em que Maurício se deu conta da alegria insana que o rodeava foram o suficiente a desencadear nele uma onda de questionamentos.
Maurício olhou às suas colegas novamente e começou a dissertar:
- Qual é o motivo disso tudo?... Vocês não... Não sentem um vazio, um vazio enorme em toda esta colméia em que vivemos?
Não conseguia segurar seus pensamentos. Olhava à sua volta e o que antes tinha por normal agora era absurdo, de tudo sua mente questionava "como?", "por quê?". Varreu os ínfimos de sua memória e pensou em todas as vidas que tinha notícia, no vazio de tudo, na incerteza e na falsidade. Discursava agora feito um louco para quem estivesse perto, para o horror de suas colegas, mas sem tirar o sorriso demente de suas faces.
Maurício realizava tal revelação que não viu no espelho do refeitório seus olhos queimando em vermelho vivo com aquele novo homem que surgia dentro dele. Tampouco pôde ouvir os automóveis correndo loucamente pela rua transversal à do refeitório. Quando enfim chegaram, porém, ouviu-se um estrondo.
- Maurício das Neves! Maurício das Neves! - Gritava um agente de corpo pesado que entrara correndo pela porta. - Temos provas de que a Infecção o teve como vítima! Por favor, identifique-se!
Mais agentes entravam depressa pela porta, e em todos se via um grande punho demarcado em seus macacões, com os escritos "A Força Estatal". Tais agentes agora seguiam dizendo:
- Para a proteção sua e de seus colegas, identifique-se!
Maurício sentia estar em um pesadelo. Não só a Força o fazia estremecer, como a idéia da Infecção. Mas era algo além. O que descobrira naqueles passados minutos o transformara como nada antes o fez. Chegou a perguntar-se "seria isso a Infecção?", mas não pôde terminar seu raciocínio. Um dos agentes que virava rostos de jovens presentes com sua mão e os mirava, juntamente a mirar uma foto recém-impressa de Maurício, teve a sua atenção desviada por uma jovem, a que havia sido perguntada se era feliz. Ela nada fez além de apontar com braço estendido a Maurício.
- Ele está aqui! Aqui! - Gritou o agente.
Homens de roupas escuras e máscaras de gás, os agentes da Força, correram a Maurício, que viu ser jogado sem hesitação de rosto a uma mesa, abrindo um rombo em sua bochecha esquerda. Via o sangue escorrer por sua face, mas sabia que não importava, estava infectado, estava morto.
O arrastamento até um dos furgões que diziam "A FORÇA ESTATAL" foi deveras rápido, e Maurício viu portas de aço fechar em sua frente. Voltou seu rosto ao chão, com o único pensamento repetido: "eu vou morrer, eu vou morrer". Ao notar que o automóvel não estava se movendo, olhou para frente e viu a cena mais amedrontadora de sua vida: A rua, geralmente calma, estava bloqueada em ambos os sentidos por automóveis incendiados; e os agentes Força, que Maurício podia observar através da grade de contenção do veículo, estavam paralisados, mas discutiam:
- Devemos tentar?
- O automóvel pode resistir... E você sabe que o espécime não deve ser capturado.
- É arriscado.
- Eu sei... Mas é necessário.
Maurício não sabia o que pensar. "Tentar o que? Passar pelos automóveis incendiados? Era suicídio! Espécime? Do que estavam falando?"
Sentia taquicardia no peito. Sentia ânsia. Sentia raiva, pressa, medo. Quis fechar os olhos e esperar aquele pesadelo horripilante acabar. Foi quando ouviu o ronco do motor e sentiu o movimento do furgão.
"Loucos!" - Pensou. Mas nada disse, não houve tempo nem voz. Ao chocar o veículo aos carros incendiados o impulso foi tamanho que Maurício voou de encontro à tela de proteção do furgão da Força. Desmaiado, não pôde ver os homens de rostos sérios, de uma seriedade nunca antes presenciada, arrombarem o veículo para seu resgate. Tampouco pôde ver seu transporte para longe de sua cidade - ou colméia, como este a descreveu mais cedo no mesmo dia - por gente nobre que beijava seu rosto, gente que deixava cair água dos olhos e que visava serenidade.
- Mais um salvo, Marcelo. Mais um salvo. - Falou do carro o homem de olhos vermelho-fogo.
Continua.
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terça-feira, 21 de outubro de 2008
Excertos de um avião escuro e uma mente iluminada.
Vivo da mais intensa dor e agonia.
Agonia de quem viu o futuro e anseia pelo passado.
Por que o ar que respiro, mais parece trazer combustível do que vida?
Por que a água que me desce a garganta já não me proporciona prazer algum,
e faz-me máquina?
A inércia em que vivo é a mesma que me enoja.
"Algo para me dar prazer!" Grito inutilmente para mim mesmo.
Grito em pensamento, pois sou covarde de gritar em voz.
Covarde é o que sou.
Mas tal auto-conhecimento traz-me benefícios? Traz-me bravura?
Maldita seja esta obsessão por tentar me entender.
Sinto pena do primeiro humanóide que ao levantar sua lança questionou-se "por que?"
Diagnósticos de mim não trarão-me felicidade. Pelo contrário.
Ainda assim, não consigo evitar de querer descobrir a razão de escrever essas palavras todas.
Basta! Está tarde já.
© Todos os direitos reservados.
Agonia de quem viu o futuro e anseia pelo passado.
Por que o ar que respiro, mais parece trazer combustível do que vida?
Por que a água que me desce a garganta já não me proporciona prazer algum,
e faz-me máquina?
A inércia em que vivo é a mesma que me enoja.
"Algo para me dar prazer!" Grito inutilmente para mim mesmo.
Grito em pensamento, pois sou covarde de gritar em voz.
Covarde é o que sou.
Mas tal auto-conhecimento traz-me benefícios? Traz-me bravura?
Maldita seja esta obsessão por tentar me entender.
Sinto pena do primeiro humanóide que ao levantar sua lança questionou-se "por que?"
Diagnósticos de mim não trarão-me felicidade. Pelo contrário.
Ainda assim, não consigo evitar de querer descobrir a razão de escrever essas palavras todas.
Basta! Está tarde já.
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sexta-feira, 12 de setembro de 2008
Márcio - Parte 2.
II - Consequências e caos.
Precisamente três dias se passaram desde a morte de Henry, e o bar da nossa estória ainda continha aquele clima fúnebre que diz "coisas aconteceram, mas não queremos falar do que houve"; quando então param dois veículos SUV de cor preta na calçada, abrindo as portas rapidamente.
De dentro dos tais veículos saem oito homens de ternos pretos e aparência saudável. O mesmo atendente, que agora continha aquele olhar triste de que tirou uma vida, olha para os homens e não fala nada, só observa. Ele era conhecido não só pela sua já citada calma, mas pela sua bravura.
Nunca em toda a história se viu crime de vingança com tão poucas palavras: armas sem silenciador esbanjavam ironia em todos aqueles assassinatos silenciosos. De um a um os clientes iam morrendo sem abrir a boca, deveriam estar se perguntando o que estava acontecendo, ou se iriam também ser mortos.
Sapatos e paletós cruzaram o ambiente deixando somente medo e corpos, corpos sem vida.
O atendente do bar observava calmamente, havia medo em seu corpo, mas não em seus olhos castanho-amarelados, que estiveram fixos até a rajada de projéteis o atingir no peito.
Poucos minutos depois uma casa nas redondezas é visitada por um dos SUV, que desembarca um dos homens de terno. Este entra rapidamente e bate à porta, vendo-a deslizar em sua frente, estava aberta, aquela era uma casa com criança.
O homem entra rapidamente à casa, aparenta ter quarenta e poucos anos, e tem um olhar suave, daquele que quando se vê se pensa "deve ser uma boa pessoa"; e olha para a mulher assustada à sua frente. Levanta um revólver ao peito da mulher.
- Quem é o senhor? Pode levar tudo, só não nos machuque. - A mulher estava começando a chorar, tremendo e aparentando nervosismo.
O assassino olha à sua direita, um garoto estava ali observando. Não havia muito que fazer. Com dois tiros o peito da mulher estoura e logo após a sua cabeça.
Passos rápidos e o homem de olhar suave sai da casa e entra no automóvel:
- A porta estava aberta, não havia nenhuma criança, não é? Porque as ordens eram para matar to...
- Não havia mais ninguém. - Responde decidido.
Na casa foi deixado o garoto Márcio, nosso protagonista de então 7 anos, que ficou abraçado, chorando, com o que tinha sido sua mãe, até que foi puxado para longe por um policial, sem cerimônias. Como foi puxado de sua mãe falecida, da mesma forma foi tirado de sua casa, de sua vida. Pelos seus olhos castanho-amarelados calmos, herdados de seu pai, Márcio guardou as piores lembranças daquele dia, quem sabe até a sabedoria de nunca confiar em um olhar suave.
© Todos os direitos reservados.
Precisamente três dias se passaram desde a morte de Henry, e o bar da nossa estória ainda continha aquele clima fúnebre que diz "coisas aconteceram, mas não queremos falar do que houve"; quando então param dois veículos SUV de cor preta na calçada, abrindo as portas rapidamente.
De dentro dos tais veículos saem oito homens de ternos pretos e aparência saudável. O mesmo atendente, que agora continha aquele olhar triste de que tirou uma vida, olha para os homens e não fala nada, só observa. Ele era conhecido não só pela sua já citada calma, mas pela sua bravura.
Nunca em toda a história se viu crime de vingança com tão poucas palavras: armas sem silenciador esbanjavam ironia em todos aqueles assassinatos silenciosos. De um a um os clientes iam morrendo sem abrir a boca, deveriam estar se perguntando o que estava acontecendo, ou se iriam também ser mortos.
Sapatos e paletós cruzaram o ambiente deixando somente medo e corpos, corpos sem vida.
O atendente do bar observava calmamente, havia medo em seu corpo, mas não em seus olhos castanho-amarelados, que estiveram fixos até a rajada de projéteis o atingir no peito.
Poucos minutos depois uma casa nas redondezas é visitada por um dos SUV, que desembarca um dos homens de terno. Este entra rapidamente e bate à porta, vendo-a deslizar em sua frente, estava aberta, aquela era uma casa com criança.
O homem entra rapidamente à casa, aparenta ter quarenta e poucos anos, e tem um olhar suave, daquele que quando se vê se pensa "deve ser uma boa pessoa"; e olha para a mulher assustada à sua frente. Levanta um revólver ao peito da mulher.
- Quem é o senhor? Pode levar tudo, só não nos machuque. - A mulher estava começando a chorar, tremendo e aparentando nervosismo.
O assassino olha à sua direita, um garoto estava ali observando. Não havia muito que fazer. Com dois tiros o peito da mulher estoura e logo após a sua cabeça.
Passos rápidos e o homem de olhar suave sai da casa e entra no automóvel:
- A porta estava aberta, não havia nenhuma criança, não é? Porque as ordens eram para matar to...
- Não havia mais ninguém. - Responde decidido.
Na casa foi deixado o garoto Márcio, nosso protagonista de então 7 anos, que ficou abraçado, chorando, com o que tinha sido sua mãe, até que foi puxado para longe por um policial, sem cerimônias. Como foi puxado de sua mãe falecida, da mesma forma foi tirado de sua casa, de sua vida. Pelos seus olhos castanho-amarelados calmos, herdados de seu pai, Márcio guardou as piores lembranças daquele dia, quem sabe até a sabedoria de nunca confiar em um olhar suave.
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quinta-feira, 14 de agosto de 2008
Metáfora de homens e seus guarda-chuvas (nonsense).
Pense em um mundo de praça sem ruas, somente calçada e pessoas circulando. Há nesse mundo uma chuva de que todos nós já experimentamos, ou anseamos por experimentar.
Pessoas diferem em interior por o que diferem na atitude: Existem os que não se desprendem de seus guarda-chuvas, com um medo obsessivo de se molharem daquela água forte, e quando olham para o lado, para um chamariz qualquer, logo enterram o pé em poças e mergulham em arrependimento.
Outros preferem olhar sempre para o solo, para terem certeza que não pisarão em falso. Quando estes decidem levantar os olhos o caminho todo se passou e de nada aproveitaram, pois só o que viram foi a si mesmos por seus olhares amedrontados.
Há também gente que tomou da água caída por acidente e decidiu se deixar levar, para o horror dos medrosos, mas também sofrendo pela chuva forte.
E há por fim os mais interessantes de todos, os que amam a chuva. Andam felizes por estarem molhados, sorrindo ou tirando prazer de sua melancolia, quando o riso não vem.
Qual desses é você, oh humano?
*Nota: Para quem não interpretou a metáfora sozinho há uma "legenda" no primeiro comentário deste artigo com a minha interpretação.
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Pessoas diferem em interior por o que diferem na atitude: Existem os que não se desprendem de seus guarda-chuvas, com um medo obsessivo de se molharem daquela água forte, e quando olham para o lado, para um chamariz qualquer, logo enterram o pé em poças e mergulham em arrependimento.
Outros preferem olhar sempre para o solo, para terem certeza que não pisarão em falso. Quando estes decidem levantar os olhos o caminho todo se passou e de nada aproveitaram, pois só o que viram foi a si mesmos por seus olhares amedrontados.
Há também gente que tomou da água caída por acidente e decidiu se deixar levar, para o horror dos medrosos, mas também sofrendo pela chuva forte.
E há por fim os mais interessantes de todos, os que amam a chuva. Andam felizes por estarem molhados, sorrindo ou tirando prazer de sua melancolia, quando o riso não vem.
Qual desses é você, oh humano?
*Nota: Para quem não interpretou a metáfora sozinho há uma "legenda" no primeiro comentário deste artigo com a minha interpretação.
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domingo, 27 de julho de 2008
Márcio - Parte 1.
I - O antes.
Um homem chega cambaleando ao balcão e diz ao atendente:
- Eu... É... Eu levantei a cerveja assim - o homem representa a ação levantando a garrafa vazia, estava muito alcoolizado - e o garçom fez que não... Não sei o que... Não importa... Me dá uma cerveja.
O atendente olha com um olhar calmo, pacífico:
- O senhor já bebeu o bastante, o que acha de ir embora descansar?
- Mas eu quero uma cerveja! Olha, eu não tou dirigin... Só me dá uma cerveja!
- Amigo, você já bebeu bastante, não vou servir mais a você, não quero problemas.
- Mas o senhor! O senhor está sendo incon... Inconsequente comigo!
- Olha o cara! Falando bonito pra se fazer de sóbrio! - Exclamou um dos clientes do bar.
O homem alcoolizado aparentava ter 20, 22 anos de idade, mas mal se aguentava em pé pela embriaguez. Olhou rapidamente para o indivíduo que havia falado, e voltou novamente os olhos ao atendente:
- Você não sabe quem eu sou, hein! Me deixa comprar essa cerveja logo! - E ao falar isso segura o braço esquerdo do atendente, que estica sua mão esquerda para dentro de uma gaveta ao lado, tateando à procura de algo.
- Amigo, não quero problemas, saia do bar. - Não havia nervosismo em sua voz.
- Você não entende, cara, não entende! Eu só quero a cerveja! - Falou o alcoolizado, mal conseguindo manter o olhar fixo. Este então levanta a garrafa que havia deixado no balcão, movimentando-a agressivamente contra o atendente, e continua - Me dá essa cer... Me dá uma cerveja, cara!
- Eu peço que você se afaste do balcão! - Falou o atendente, já com um revólver em mãos.
- Pra que tirar essa arma? Eu só quero um pouco... quero um pouco de respeito!
Não se pode saber se o homem iria jogar a garrafa à sua frente, ou se iria parti-la na cabeça do atendente, quando ele movimentou rapidamente o seu braço um tiro ecoou no recinto, e o homem caiu para trás sem vida, com a marca do tiro no peito.
Sangue, gritos horrorizados, medo, pessoas desesperadas.
Quando chegaram os policiais foram ouvidos depoimentos de várias pessoas, e concluído que se tratava mesmo de um caso de legítima defesa; porém, pelas roupas formais e olhares frios dos homens que vieram buscar o corpo do tal Henry - sua identidade foi descoberta pela polícia - esta estória estava longe de acabar.
*Nota: "Márcio" é uma estória seriada cronologicamente escrita como um conjunto de curtas-metragens, é o primeiro escrito do Divagações que não é puramente literário; e, para se ter boa idéia do que foi imaginado para a estória, o melhor é ler como se você, leitor, estivesse vendo um filme, um filme fragmentado, e este fosse o seu roteiro.
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Um homem chega cambaleando ao balcão e diz ao atendente:
- Eu... É... Eu levantei a cerveja assim - o homem representa a ação levantando a garrafa vazia, estava muito alcoolizado - e o garçom fez que não... Não sei o que... Não importa... Me dá uma cerveja.
O atendente olha com um olhar calmo, pacífico:
- O senhor já bebeu o bastante, o que acha de ir embora descansar?
- Mas eu quero uma cerveja! Olha, eu não tou dirigin... Só me dá uma cerveja!
- Amigo, você já bebeu bastante, não vou servir mais a você, não quero problemas.
- Mas o senhor! O senhor está sendo incon... Inconsequente comigo!
- Olha o cara! Falando bonito pra se fazer de sóbrio! - Exclamou um dos clientes do bar.
O homem alcoolizado aparentava ter 20, 22 anos de idade, mas mal se aguentava em pé pela embriaguez. Olhou rapidamente para o indivíduo que havia falado, e voltou novamente os olhos ao atendente:
- Você não sabe quem eu sou, hein! Me deixa comprar essa cerveja logo! - E ao falar isso segura o braço esquerdo do atendente, que estica sua mão esquerda para dentro de uma gaveta ao lado, tateando à procura de algo.
- Amigo, não quero problemas, saia do bar. - Não havia nervosismo em sua voz.
- Você não entende, cara, não entende! Eu só quero a cerveja! - Falou o alcoolizado, mal conseguindo manter o olhar fixo. Este então levanta a garrafa que havia deixado no balcão, movimentando-a agressivamente contra o atendente, e continua - Me dá essa cer... Me dá uma cerveja, cara!
- Eu peço que você se afaste do balcão! - Falou o atendente, já com um revólver em mãos.
- Pra que tirar essa arma? Eu só quero um pouco... quero um pouco de respeito!
Não se pode saber se o homem iria jogar a garrafa à sua frente, ou se iria parti-la na cabeça do atendente, quando ele movimentou rapidamente o seu braço um tiro ecoou no recinto, e o homem caiu para trás sem vida, com a marca do tiro no peito.
Sangue, gritos horrorizados, medo, pessoas desesperadas.
Quando chegaram os policiais foram ouvidos depoimentos de várias pessoas, e concluído que se tratava mesmo de um caso de legítima defesa; porém, pelas roupas formais e olhares frios dos homens que vieram buscar o corpo do tal Henry - sua identidade foi descoberta pela polícia - esta estória estava longe de acabar.
*Nota: "Márcio" é uma estória seriada cronologicamente escrita como um conjunto de curtas-metragens, é o primeiro escrito do Divagações que não é puramente literário; e, para se ter boa idéia do que foi imaginado para a estória, o melhor é ler como se você, leitor, estivesse vendo um filme, um filme fragmentado, e este fosse o seu roteiro.
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